Ana

Laura

Lia

Joana

Júlia

Pina

Sílvia

Marta

Ismênia

Sofia

Amanda

O que o leitor vai ler a seguir são fragmentos de histórias que me ajudaram a compreender a minha própria existência. Não conheci a maioria dessas mulheres e, apesar disso, sinto-as todas. Como se em cada canto de mim houvesse uma porção com nome diferente. Sei que vivemos numa era onde a urgência da informação nos impele para o futuro. Não há mais como nos lançarmos numa poltrona e nos deixarmos divagar pelas incertezas sem que, com isso, fiquemos com a sensação de que o bonde passou e que nós não estamos dentro dele – são tantos os livros (e eu ainda nem sequer completei a lista dos clássicos!), as newsletteres, os especiais televisivos... Mas acho que há momentos de nossas vidas que é preciso deixar mesmo o bonde passar. Sem culpa. Como àquele instante em que nos vemos fisgadas pela imagem do espelho que já não nos diz nada ou, pior, nos abre uma enorme e assustadora interrogação. Talvez seja essa a sublime hora da verdade. Quando descobrimos que passamos a vida como uma tela à espera da assinatura final do artista: sem identidade. Acho que é nessa hora, se ainda não o fizemos, que devemos esquecer a lista dos livros não lidos, deletar do computador as newsletteres que abarrotam a caixa postal e desligar a televisão. Esquecer do bonde mesmo e buscar a imagem que o espelho não reflete. É a hora de olhar para trás...

A.