Ana

Laura

Lia

Joana

Júlia

Pina

Sílvia

Marta

Ismênia

Sofia

Amanda

 

 

Que raios pensa a humanidade? Não me importa muito o como fazer as coisas. Penso que devo existir, a despeito de quem se incomoda com isso. Estranha, estranha, estranha...

 

Julho de 1993.


 A casa está aberta. Eu me tranco onde ninguém vê. Vovó fica aos gritos, mas há um silêncio reinante no quarto ao fim do corredor. A existência é uma coisa engraçada: para mim, não basta respirar.

 

Julho de 1993.


 Chove. A chuva lava as calçadas e umedece a terra. Mas minha alma transborda sem chuva. Gosto do cheiro que sobe às narinas, após a chuva. Mas não me lembra a vida. Não, penso na morte. Na morte como uma maneira estranha de viver a existência completa. Misturar-se ao ar, dividir-se em inúmeras partículas sem nomes e descendência. Ser livre. E invisível.

Julho de 1993.


Uma borboleta pousou hoje em minhas mãos. Voa borboleta, voa!

Julho de 1993.


Biles, catarro, excremento, urina. Angústia e silêncio. Retrato postergado ao futuro. Meu pai. Minha mãe. Silêncio. Angústia. Dança, menina, dança.

Julho de 1993.


Gosto da sonoridade de Agosto. Parece que o mundo inteiro suspende a respiração. Como se houvesse algo após as reticências. Mas nem sempre há. E quem diz o contrário está certamente mentindo! Agosto...

Agosto de 1993.


Sonhei que era árvore. Uma árvore anã que dava enormes frutos. Maiores do que a própria sombra que circundava o pátio onde estava minha árvore. Onde fui plantada. Onde cresci sem depender dos cuidados alheios de quem lembrasse de regar as raízes. Uma árvore anã. Acordei encolhida na cama.

Agosto de 1993.


Aurora. Esse é o nome da menina de vestido de bolinhas que pula corda em frente á calçada. Aurora. Que nome estranho para uma criança! “Aurorinha, minha filha...” Eu não suportaria um diminutivo desse. É como Sofia. Ninguém que se atreva a me chamar diferente disso.

Agosto de 1993.