Ana

Laura

Lia

Joana

Júlia

Pina

Sílvia

Marta

Ismênia

Sofia

Amanda

 

 

Sofia esteve ontem aqui. Parece melhor, minha irmã. Minha pequena Sofia, o que passa pela sua cabeça?

 

Julho de 1993.


 Sofia me disse que mamãe vai virar pássaro. Que coisas estranhas pensa a minha irmã! Disse-me que vovó está cansada, perde a paciência com qualquer bobagem. O que Sofia considera bobagem?

Julho de 1993.


Terá mamãe razão em se preparar para algo que não está ao alcance de nossos olhos e nem sequer sabemos de sua existência? E o que são os anos para uma mulher que se deixou abandonar em um quarto, durante tanto tempo? Tenho tentado me concentrar nos estudos. A vida é breve. E os minutos corroem os planos sem que possamos nos dar conta disso.

 

Julho de 1993.


Fui visitar mamãe, mas cheguei na hora de suas orações. Quanta disciplina para se manter viva! Não gosto de vê-la. Sempre que o faço é como se uma ferida abrisse em meu peito e os vermes rastejassem sobre a casca mole e o líquido purulento escondido sob a camiseta.

Agosto de 1993.


Sofia. Por mais que eu tente compreendê-la, não consigo. E dói a própria carne quando penso na escura caixa que parece ser minha irmã. Gostaria de salvá-la. Contar-lhe, talvez, minhas próprias dores. Mas temos um pacto de silêncio firmado na incompreensão das crianças. E uma ausência colada à epiderme.

Agosto de 1993.


Não vejo a hora de chegar setembro. Incomoda-me o mês de agosto. Não saberia explicar o motivo. Nem sei na realidade se existe um. É uma sensação sem razão aparente. Apenas não gosto. E cada vez que chegamos a ele, sinto medo do que possa me acontecer.

Agosto de 1993.


As violetas que comprei estão realmente lindas. Tão miúdas e delicadas. Quis também comprar alguns cactos, não me dariam nenhum trabalho para cuidar. Mas achei uma ofensa à natureza.

Setembro de 1993.


Sofia passou o domingo comigo. Não fomos almoçar com mamãe. Quis dizer a minha irmã o quanto a amava, vendo-a no parapeito da janela com o olhar perdido na imensidão de prédios. Quando lhe dei um abraço, Sofia chorou. Disse que se sentia como o velho prédio que insistiam em cobrir as rachaduras. Não soube o que responder.

Setembro de 1993.