Ana

Laura

Lia

Joana

Júlia

Pina

Sílvia

Marta

Ismênia

Sofia

Amanda

 

 

Hoje é meu aniversário de 15 anos e a única coisa que consigo me lembrar dessa mulher é o rosto patético e os cabelos trançados com fitas no momento exato em que resolveu se jogar da sacada do quarto. Nem sequer pensou na menina que estava ali, em pé, aflita de alegria por ouvir a voz da mãe depois de tanto tempo... Era mesmo uma grande puta, minha mãe. Meretriz da pior espécie!

 

Novembro de 1990.


 Ganhei de meus avós uma passagem para a Disney. Com certeza ainda me vêem como uma garotinha! Mas o que posso dizer? É claro que vou!

Novembro de 1990.


Mandarei cartão para meus avós: Disney é linda! Mas na verdade estou odiando isso tudo. Que bonecos idiotas! E as crianças? Todas tontas e esfuziantes. E nesse caso, não sei o que é pior: se os filhos na inocência ou se as mães patéticas. Por que vovó não veio também?

Dezembro de 1990.


 Ah! Nada como a casa da gente... Estava com saudades dos mimos e de alguém para cuidar das minhas roupas.

Janeiro de 1991


A nova escola me aceitou de braços abertos. Talvez seja o peso do nome. Gosto de pensar nisso. Um nome me facilita a vida. Os professores são como múmias, mas fazem-me agrados. Também lhes trato bem - mesmo quando tenho vontades de socá-los. Minha avó disse que agora, que já sou “uma mocinha”, posso pensar em ir as festas sem que eles precisem me acompanhar: “Mas veja bem, mocinha, festas promovidas por famílias amigas”. Tive vontade de rir.

Fevereiro de 1991.


Finalmente sou uma mulher. O fluxo vermelho manchou a calcinha e corri a vovó. É claro que já sabia o que fazer, mas nada melhor do que parecer que não.

Março de 1991.