
A primeira linha é um suspiro um riso solto no ar que comove e move todos os sentidos o cheiro a nuca molhada fios de cabelos enroscando-se nas idéias que seguem frouxas pela ventania minha casa aberta sem portas e janelas deixando entrar os últimos pingos d´água os pêlos eriçados da felina ferem a carne do desejo que segue torto como tortos são os caminhos que levam a lugar nenhum a brevidade da vida do instante maculando as insanas linhas da expressão do rosto da forma do pensamento e linhas e linhas e verbos e predicados sujeitos aos delírios da tela do teu olhar palavras jogadas ao nada ao tudo onde todas as coisas se encontram terreiro de fé e mandingas a lua cheia encorpando o líquido quente percorrendo as entranhas a saliva se rendendo ao ritmo frenético de bocas e línguas que se encontram e se perdem as sombras sorrindo ao acaso é o ocaso do gozo vou me enroscar feito cobra e sorver nas entrelinhas a ânsia dos parágrafos não escritos e nem sequer desenhados.